Deficiente, sexualidade e solidão: em busca do empoderamento

* Por Jhonatan Zati

Nós somos o país que mais mata pessoas LGBT no mundo. Segundo dados levantados de acordo com o GGB, Grupo Gay da Bahia, nossas estatísticas do ano de 2016 superam as do Oriente Médio e da África, em regiões em que a pena de morte por ser parte dessa parcela da população é legalizada.

Aproximadamente a cada 25 horas, uma pessoa é vítima da LGBTfobia no Brasil – mais ou menos uma por dia. Isso é medido de acordo com o que nos chega aos ouvidos, ou seja, há chances de o número ser ainda maior e nós nem sabermos.

Mas o que faz com que não fiquemos sabendo? Grande parte da responsabilidade se dá à impunidade; há pouquíssimos dias a ideia da criminalização começou a engatinhar nas sedes dos nossos poderes. Além disso, são crimes culturalmente acobertados e alimentados por uma construção social que teme o diferente e ridiculariza o que não se encaixa em seus padrões.

Gif de um homem conversando com outro e gesticulando com as mãos pedindo foco.

Sendo assim, partimos para o foco deste texto:

se nossa cultura assume uma postura de repulsa com o que não lhe é dito como natural, como ficamos nós, pessoas com deficiência, em meio a esse fogo cruzado? Lhes digo a partir de minhas próprias experiências.

Nossa sexualidade é nula. Ponto final. Não há discussão a esse respeito. Por mais que o estabelecimento de relações humanas se dê muitas vezes a partir desse ato considerado biológico, ele não está permitido se você não tiver seu corpo funcionando com destreza.

É como se eles dissessem “você não está socialmente autorizado a se abrir socialmente para relações, principalmente caso elas envolvam a sua sexualidade”.

Descobrir-se homossexual, então, envolve conflitos homéricos – é uma redescoberta de toda a sua função no mundo. Ao se revelar, você abre alas para que as pessoas destilem o seu receio – quiçá até sua repulsa compulsória – para com o que desconhecem.

É notória a solidão emocional a que somos submetidos quando nossos corpos são anomalias sociais. Quando são substituídos pelos corpos eficientes sem explicação qualquer.

Quanto aos aplicativos – seja sincero e talvez a sorte grande te abrace. Porque sua deficiência é repelente e, no máximo, sirva para que os seus alvos se sintam melhores com eles mesmos, afinal, “não se deve reclamar da vida se não tem deficiência”.

Gif de uma menina com uma feição irônica tirando e colocando os óculos como se estivesse provocando

Eu não sei de muitas coisas na vida, mas sei que cansei de fingir não ver algo que está a palmos de distância: nascemos para o ostracismo, em qualquer uma de suas formas. Mas me recuso a aceitar essa covardia. A vida nos oferece mais do que pode parecer.

Jhonatan Zati tem 22 anos é graduando em Letras pela Universidade Federal de Alfenas (MG). Possui paralisia cerebral e gentilmente aceitou escrever para o blog. Se considera “crítico, observador e fascinado pelo mundo. Artista wannabe e deficiente com orgulho.” 

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