A Yura veio até mim após ver meu material com Disbuga. Lembro da nossa primeira conversa, ela ainda estava iniciando sua descoberta como mulher com deficiência e tinha muitas perguntas. Foi uma troca interessante que mais tarde resultou em um lindo desabrochar. Hoje aquela menina tímida, deu lugar a uma jovem super criativa e consciente do seu lugar na sociedade. Com looks inspirados na moda japonesa e em bonecos BJD, Yura monta looks fantásticos e nos presenteia com seus “shoots” (pequenos álbuns de fotos) no facebook. Infelizmente sua arte atraiu olhares maldosos e haters da pior espécie, mas com apoio de amigos e fãs ela continua seu trabalho. Convido-os a conhecer um pouco mais de Thaís Lemos, ou melhor, Yura. 😀

Me chamo Thaís, mas sou conhecida como Yura. Sou estudante de Serviço Social, 19anos, tenho atrofia muscular espinhal.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” é uma das frases da Simone de Beauvoir em sua defesa de que as diferenças entre os gêneros são resultado de significados culturais. Para você, hoje, o que é “ser mulher”?

Se sentir mulher e se identificar com gênero é sinônimo de luta, força e alguns casos resistência.

Como você acredita que o feminismo pode contribuir para mudança da imagem da mulher nos dias atuais?

Reconhecendo todas as mulheres (deficientes, negras, trans…) dando voz a elas pra contarem suas vivências que as vezes é esquecida. O machismo que esses grupos e nós sofremos tem várias diferenças, por isso precisa-se dar mais voz a essas mulheres e perceber que suas diferentes e vivências podem ajudar a dar força ao movimento.

Como você conheceu o feminismo e o que ele mudou em sua vida?

Eu conheci através de uma amiga. Ele me fez ser mais empoderada em relação ao meu corpo e as consequências da minha atrofia muscular. Hoje as levo como marcas de luta, principalmente ao preconceito.

A deficiência influencia o modo como você se vê como mulher? Você acredita que o feminismo mudou seu modo de lidar com ela?

Não influência hoje, mas já influenciou muito. Com certeza o feminismo me fez enxergar que 90% de tudo o que eu pensava em relação a mim era em detrimento de uma sociedade machista, homofóbica e preconceituosa. Desde minha orientação sexual até a minha forma de pensar sobre mim era triste como eu me rebaixava por ter uma deficiência. Isso ia desde sentir vergonha e não postar fotos na Internet, até chorar sem motivo nenhum culpando isso por todos meus problemas da vida sendo que o problema era minha forma de pensar e ser levada pelas opiniões preconceituosas ao meu respeito.

Na sua opinião: o que falta no feminismo para melhorar a representação das mulheres com deficiência?

Maior número de mulheres deficientes no movimento e as pessoas que já estão no feminismo darem voz e pararem de silenciar as meninas com deficiência, porque infelizmente é isso que acontece, mas nós também somos mulheres e existimos.

Um recado de empoderamento:

Não abaixe a cabeça pra NINGUÉM, tenha orgulho de si mesma e não se limite pela sua deficiência.

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