Amor em cotas

O ano de 2015 foi atípico para muitas pessoas em vários aspectos.  Motivos não faltam para justificar essa onda negativa. A crise econômica gerada pelo aumento do dólar e a instabilidade política em nosso congresso contribuíram para uma sensação de desmotivação generalizada e a desesperança por dias melhores. Além disso, pessoalmente, posso dizer que não houve em nenhum outro ano tantos rompimentos de relacionamento quanto neste. A cada cinco pessoas que conversei sobre, quatro haviam rompido.

Podemos justificar essas mudanças com muitos argumentos, porém permitam-me reduzir essa realidade a uma simples frase que abriga todo meu pensamento a respeito deste período: tá foda!

Este ano, como bem sabem, conheci o feminismo o qual me fez compreender detalhes antes sem respostas. Percebi também que determinados assuntos não faziam distinção aos seus atingidos, como também alguns são potencializados com outros. Um deles é o amor. Ou melhor: aquilo que chamamos “relacionar”.

O desafio de relacionar

medicoConheci mulheres maravilhosas este ano em vários sentidos. Pessoas capazes de irradiar beleza em todas as formas possíveis e me impressionou notar a dificuldade da maioria delas em se relacionar com homens. Muitas se queixavam do descaso, falta de respeito e objetificação que eles faziam sem o menor remorso deixando-as cheias de dúvidas e inseguranças. Eram mulheres andantes, feministas, cis e independentes, em sua maioria.

Sempre considerei ser mais fácil para elas se relacionar, contudo minhas impressões estariam erradas e descobriria os resultados dessa dificuldade na vida das mulheres cadeirantes.

Perdoe-me minhas irmãs andantes, mas agora preciso assumir a minha voz. 

Cotas em relacionamentos 

A mulher cadeirante encontra dois obstáculos quando pretende se relacionar com alguém, sendo eles:

  • A comparação com mulheres andantes
  • Preconceito dos homens

P.S.: estou avaliando relacionamentos heteroafetivos, pois é o que tenho condições de falar. Caso alguém se sinta excluída desse texto, peço desculpas e deixo aberto o espaço para compartilhar sua experiência homoafetiva. 🙂

P.S 2: estou avaliando relacionamentos entre casais “heterogêneos”, ou seja, cadeirante-andante, mas acredito que possa ser aplicado entre os “homogêneos”

A comparação

Imagino que algumas mulheres empoderadas desconsiderem esse ponto como dificultador. Desejo que este seja o seu caso, querida leitora, pois isso demonstra o quão bem resolvida está sua autoestima. Entretanto, se não for o seu caso, sinta-se abraçada e saiba que não está sozinha.

Infelizmente vivemos em uma sociedade cuja voz ressoam comandos de estética na mente feminina e uma série de posturas sufocantes a qual devemos seguir sem reclamar. Some-se a isso a ideia capacitista de que a mulher cadeirante não seria capaz de ser como outra mulher andante. Insira dentro dessa capacidade coisas como: dar prazer ao seu companheiro, ser uma mãe com condições de criar bem seus filhos, ser aquela amiga que as outras irão apresentar seus amigos, ser aquela paquera ou a amiga colorida.

São essas ideias inseridas e alimentadas dia após dia que impedem, muitas vezes, sustentar uma autoestima saudável. Se a mulher não tiver o “privilégio da semelhança” aí a coisa piora. Torna-se uma árdua tarefa e cansativa em alguns momentos.

Preconceito dos homens

Neste ponto temos duas questões: medo do desconhecido e falta de caráter. Nos dois casos o foco está na deficiência e aqui cabe avaliar bem se vale a pena viver uma história com pessoas assim. Existem pessoas que superam o medo e abrem a mente para a relação, buscando por meio de perguntas solucionar suas dúvidas iniciais. Cabe a pessoa com deficiência observar com cuidado quando isso ocorre, uma vez que pode-se entrar em um relacionamento abusivo e piorar a situação de solidão. Além disso, temos as características machistas comuns naquele perfil de homem que se afasta por preconceito.

O que fazer então? Viver sozinha? Desistir de encontrar um amor? Ou como sugeriu algumas amigas “lutar por cotas em relacionamento”?

Empoderar para amar

Podem me considerar otimista (ou pelo menos tento ser quando posso e consigo), mas acredito que a solução para esse impasse seja o empoderamento. Sabemos das dificuldades que enfrentamos dia após dia em várias áreas e ainda assim insistimos e buscamos aquilo que ansiamos. Ao contrário do que acreditam, não somos super poderosas, porém somos capazes de algumas maravilhas se quisermos. Dessa forma, precisamos aprender a nos amar para não esperar o amor do outro. Não é desistir, é não esperar. É viver seus dias de modo saudável fazendo aquilo que gosta. Sair com amigos e tomar uma gelada, ir a um cinema e comer aquele balde de pipoca com refri, fazer maratona de séries e comentar em algum grupo e dentre outras coisas que aprecia.

Da mesma maneira temos de evitar aquilo que não gostamos. Evitar se envolver por medo de ficar só ou permanecer em relações pelo mesmo motivo. Manter-se em sofrimento em nome de “amor” é romantizar o abuso e isso não é legal, amigas. Paquere sim, porém saiba a hora de dizer não. Paquere, mas não espere que todo match seja o amor perfeito.

Gostaria de dizer-lhes que será fácil encontrar alguém interessante, mas não posso. Como também não tenho condições de falar o contrário. Mas se a solidão apertar posso te oferecer um abraço e uma boa lista de filmes para assistir. 😉

 

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