A ressaca do Parapan

Os jogos Parapan-Americanos de Toronto terminaram, nossa delegação brilhantemente se destacou em várias modalidades ganhando mais medalhas de ouro do que outros países como Estados Unidos e, o “anfitrião”, Canadá. Foram 257 medalhas, sendo 109 de ouro, 74 de prata e outras 74 de bronze. Estes números deixam todos ansiosos pela atuação nas Paraolimpíadas que ocorrerá ano que vem (2016) no Rio de Janeiro.

Daniel Dias e o Time Brasil de Natação Paralímpico conquistam 18 medalhas na segunda-feira – Foto: Jonne Roriz/MPix/CPB
Daniel Dias e o Time Brasil de Natação Paralímpico conquistam 18 medalhas na segunda-feira – Foto: Jonne Roriz/MPix/CPB

Superação?

Como era de se esperar, muito se falou em superação nestes dias “parapanolímpicos”. Matérias mostravam as imagens vitoriosas dos nossos atletas demonstrando o tremendo orgulho que traziam ao nosso país. Eram nossos heróis vencendo suas batalhas pessoais, físicas em nome de uma posição no pódio. Comparações sobre o desempenho dos atletas que disputaram os jogos Pan-Americanos e os Parapan eram comumente feitas nas esquinas ou nas rodas de conversa.

“Cê viu? O Brasil ganhou um monte de medalha no Parapan. O pessoal com deficiência se saiu melhor que os ‘normais’. Um baita exemplo de vida” 

Praticar um esporte com deficiência, de fato, pode exigir um pouco mais de esforço da pessoa. Entretanto, assim como aos andantes é necessário treino e disciplina para se alcançar bons resultados. No fundo, a superação ocorre nos dois estilos, porém existe esta necessidade de rotular uma pessoa com deficiência como alguém que deveria lamentar sua existência ou viver escondido.

A realidade é que o Brasil não realiza grandes investimentos para o esporte. Apenas o futebol recebe a maior fatia do bolo, as demais modalidades precisam se desdobrar para conseguirem verbas suficiente para manutenção dos centros de treinamento, por exemplo. Dessa maneira, é preciso que os atletas se esforcem o dobro afim de convencerem os investidores por meio de resultados e medalhas.

A ressaca

Infelizmente, após os jogos tudo volta ao normal. A questão é que o nosso normal não é dos mais agradáveis. Sem medalhas somos apenas pessoas com deficiência. Não somos mais os heróis das quadras, os gigantes na água ou os mais rápidos do mundo com nossas rodas. Somos apenas aquele cadeirante que pega o ônibus todos os dias e te deixa irritado com o atraso causado pela rampa que sempre emperra na hora de descer. É aquele cego que você nem pergunta se quer atravessar a rua e já sai puxando.

No dia a dia não temos o brilho das câmeras, tampouco os olhos voltados para nós. Por isso, não podemos deixar de lutar pelos nossos direitos. Precisamos nos unir, informar a sociedade sobre nossas necessidades e fazê-los compreender que somos seres humanos completos e capazes de realizar grandes coisas como qualquer outro.

Ficamos muito felizes com a conquista dos nossos amigos e orgulhosos com seu desempenho, por esse motivo esperamos que esta vitória seja capaz de mudar a visão das pessoas e quem sabe assim conseguimos melhorar essa ressaca? 😉

*imagem Google

 

 

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