Dia dos “Paiêêês…”

Agosto chegou e com ele já a profecia dos agouros. Mês do Desgosto é o que dizem e, sem perceber, já vamos mergulhando na onda negativa atribuíndo todo fato ruim ao estigma mensal. Acontece que neste meio tempo temos uma data de forte apelo emocional (para não citar o comercial) merecedora de almoços em família e homenagens nas redes sociais: o dia dos pais!

Tinha que ser neste mês?

Acho uma sacanagem dentre tantos meses bonitos no ano, escolherem justo este para abrigar o dia dos velhos. Alguns para justificar costumam dizer “ah, é só uma data”, porém este argumento só faz reforçar o pouco caso em torno deles. Quem aqui não costuma dizer “mãe é sagrada”  e aos pais o que resta?

A relação pai e filho

Pessoal, não pretendo uma discussão paternalista filosófica em torno deste tema porque não é a proposta deste blog, tá legal?. Prefiro me concentrar naquilo que tenho como experiência de relação com o meu pai e considero interessante dividir com vocês. 😉

Quem me conhece pessoalmente sabe da presença do grande Messias na minha história. Aliás, já de nome define sua importância: Manoel Messias. O escolhido, enviado para trazer a mensagem de amor e paz. Assim o fez. Assim tem feito.

Meu pai é, sem a menor sombra de dúvidas, a base da minha personalidade intelectual. Quando pequena o vi envolvido nos assuntos políticos do nosso bairro, participando de associações comunitárias afim de buscar melhorias em nossa região. Tanto fez que conseguiu, com a participação dos moradores, custear o calçamento de várias ruas daqui.

Olha nossa alegria no dia que recebi uma homenagem de um jornal local
Olha nossa alegria no dia que recebi uma homenagem de um jornal local

Era do tipo que resgatava os outros nos apuros. Precisou ir ao médico? Liga para o Messias. Ou Pezão para os íntimos. Sempre de cara boa, conversa agradável ajudava os outros na hora que fosse. Havia prazer nas suas ações e isso estava estampado em seu rosto.

Infelizmente nem tudo são flores. Quando imaginou poder alcançar mais formas de ajudar os outros por meio de sua candidatura a vereador, eis que não o retribuíram a hospitalidade. Preferiram o candidato boa praça, corrupto, mas que pagava uma cerveja no boteco. Um golpe no coração do meu pai.

O amor pela política o levou a um curso de Oratória, onde aprendeu o fabuloso poder de argumentação. Não seguiu com estudos, contudo sempre se manteve atualizado por meio de jornais impressos e televisão.

Nossa relação se estreitou quando, após sua aposentadoria, passou a me levar aos lugares. Foi neste ponto que estranhamente nos encontramos e nos distanciamos. Ao passar tanto tempo juntos notei o quão somos parecidos. Ou melhor, o tanto que absorvi de sua forma de viver. Contudo, eu estava ali tentando buscar a minha forma de seguir com a lida em busca de liberdade (ainda que em partes).

Iniciou-se o embate de gerações. Diferenças de ideias. Ele não era mais a minha única fonte de conhecimento. Aquele que tudo sabia. Haviam outros agora em minha estante esperando para serem relidos. Vieram brigas e discussões.

Este processo foi complicado para mim, porém mais tarde percebi sua naturalidade de ser. Estou crescendo, pensei. Dessa forma, comecei a negociar minhas emoções, ponderar atitudes afim de buscar uma boa convivência com ele. Honestamente foi uma das melhores decisões que tomei nesta vida. ❤

Como não agradecer?

Este ano me acusaram de endeusar meus pais, colocando-os em um pedestal. Chamaram-me de mimada entre outros predicados torpes. Óbvio que me incomodei com isto, entretanto carrego a velha mania de buscar entender o motivo das chingos que recebo e com este não foi diferente. Percebi a verdade por trás destas palavras. Sim, endeuso meus pais. Aliás, se pudesse daria a eles vida eterna. Morro de medo de viver sem eles e só de pensar nisso me emociono.

Como não ser agradecida, não buscar entender suas falhas ou ver minha falta de compreensão diante delas, não compreender a história de vida deles e sua influência na maneira de viver?

Meu pai é meu maior fã. O primeiro deles. Vejo o orgulho em seus olhos quando vê um material que produzi ou uma conquista pessoal. Era ele quem estava na primeira fila me aplaudindo de pé quando ganhei destaque na minha formatura. Aliás, era ele quem me levava e esperava do lado de fora da faculdade todos os dias, mesmo naqueles em que seu desejo era ficar em casa vendo o jogo do Galo. (quem é atleticano sabe o valor desta ação, rs) Que conserta minha cadeira quando ela estraga me ajuda a deitar todas as noites. 

Porque isto é amor. Amor de pai. Amor de família. É estar de saco cheio, falar um monte de asneira, rir dos defeitos do outro e ficar doido de saudade quando fica uma semana viajando fora. É não ser perfeito como propaganda de margarina, porém extremamente essencial como minhas tardes com café. 

Sei que nem todos tem a oportunidade de uma boa relação (ou parte disso) com sua família. Alguns nem conhecem os pais ou recebem ajuda deles, porém todos temos a quem admirar nestas datas. Aqueles que assumiram a posição similar em nossa vida. Para todos vocês que sabem reconhecer a ajuda destes, meu sincero feliz dia dos pais.

E bora almoçar porque a mesa está cheia! 😀

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